sábado, 15 de julho de 2017

Jorge Farjalla atualiza Nelson Rodrigues em espetáculo com Leticia Spiller e Rosamaria Murtinho

Fui assisti ao espetáculo "Dorotéia" em Curitiba-PR e sai impactado. A farsa irresponsável de Nelson Rodrigues ganha uma nova roupagem que na minha opinião deveria ser a última, pois qualquer outra montagem depois desta seria como a tentativa de refilmar um clássico de super sucesso do cinema com vários Oscars, ou seja, impossível. Uma produção impecável e pensada nos mínimos detalhes, deste a folha no chão do cenário maravilhoso, passando pelo figurino impecável e a música executada ao vivo com vários sons minimalistas que dão todo o ar de mega produção. Mas vamos por partes, lógico sem contar tudo... rsrsrs...


Sobre Jorge Farjalla:
Já faz um pouco mais de 10 anos em que vi uma montagem do diretor Jorge Farjalla, com atores desconhecidos do grande público e com ele em cena em uma atuação memorável. A peça era "Álbum de Família" do mesmo Nelson Rodrigues. Posso dizer que naquela época Farjalla mudou a minha visão de fazer teatro. O estudioso e especialista em Nelson, trás toda sua essência para "Dorotéia", mesmo sendo um espetáculo diferente, voltei ao tempo e pude sentir a marca registrada de Farjalla em cada detalhe. O diretor responsável pela farsa irresponsável mudou mais uma vez a vida e carreira dos atores que estão em cena com apresentações memoráveis e posso dizer, imortais. A parceria entre Murtinho e Spiller é uma das melhores de todos os tempos no teatro e parecem que as duas se conhecem pelo olhar. Parabéns por dar ao teatro a sua brilhante contribuição e fico feliz por ter assistido um dos melhores espetáculos dos últimos tempos.


Sobre Rosamaria Murtinho:
A Dona Flávia de "Dorotéia" que completa 60 anos de carreira é a prova viva de que o ator/atriz sempre pode surpreender se não se acomodar na profissão. Costumamos ver Rosinha, assim chamada carinhosamente pelos amigos, com papeis de mulheres belas e poderosas, ricas, sendo vilã ou mocinha, mas agora Rosamaria Murtinho pode dizer que ultrapassou os limites da reinvenção e criou um novo patamar. É claro que não vi todos os trabalhos dos 60 anos de carreira dessa que considero uma das melhores atrizes do mundo, mas posso dizer, sem medo de errar que esse é o melhor trabalho de sua vida e na sua melhor forma. Rosamaria estava gripada, o que para alguns artistas é motivo para cancelar um espetáculo, mas até as tosses foram na hora certa para compôr a personagem em cena. Parabéns Rosamaria Murtinho por nos dar essa interpretação e é uma pena que esse espetáculo não possa ser exibido na tv, pois seria fabuloso. Você merece todos os prêmios possíveis por sua carreira e por ter dado vida à Dona Flávia de forma tão magnífica.


Sobre Leticia Spiller:
A personagem que dá nome ao espetáculo surpreende a todos com mais uma apresentação impecável. Jorge Farjalla tirou o melhor da grande atriz que é Spiller. Seus olhos de esmeralda são vivos quando está em cena e dizem muito sem abrir a boca. Leticia se permite ao melhor personagem de sua carreira, não menosprezando nenhuma outra interpretação que conhecemos, mas Dorotéia mostra uma Letícia que não vemos na tv e o trabalho corporal é fabuloso. Letícia vai do rosto angelical ao olhar sedutor ou de prazer em segundos e mostra que existe em sua carreira o AF/DF (Antes de Farjalla e Depois de Farjalla). Parabéns Leticia por nos presentear com seu talento. 


Alexia Dechamps:
A sempre bela Alexia encena a feia Maura, irreconhecível em cena que parece uma velha carrancuda até o ápice escrito por Nelson. Suas expressões faciais que não se desmontam em nenhum minuto fez-me reparar que Alexia tem um talento além do que conhecemos e que estava escondido em algum lugar. Em cena não vemos a bela mulher com corpo maravilhoso, sempre explorado na tv, como é normal para atores/atrizes bonitos, mas uma expressão corporal digna de premiação. Não sei quais os projetos futuros dessa belíssima atriz, mas tenho certeza que veremos uma Dechamps diferente daqui pra frente. Apaixonei-me por ela em sua interpretação.


Dida Camero:
Dona Assunta da Abadia entra para mostrar que não existe nenhuma diferença entre personagens principais ou coadjuvantes. Suas entradas sempre rendem boas risadas ao espectador e mostra ainda mais o lado cômico de Dida que é mais um "monstro" do teatro, no bom sentido, pois como costumamos dizer, ela destrói em cena com sua atuação. Parabéns grande atriz.


Jaqueline Farias:
A Carmelita é uma das transformações mais incríveis do espetáculo. Tanto que nem a reconheci fora de cena, já sem a maquiagem, figurino e adereços. A mudança é magnífica e impressionante. Temos que reconhecer que ela e Dechamps são um dupla perfeita, orquestrada por Rosamaria. Parabéns e aplaudo de pé sua atuação.



Maureen Miranda:
Maria da Dores foi uma das que mais me chamaram a atenção em cena. Debaixo de um véu boa parte do tempo é impossível tirar os olhos dela em cena. Uma composição cênica e expressão corporal incrível e quando está sem o véu é ainda mais graciosa em sua interpretação. Assim como Jaqueline, Maurren fica irreconhecível com sua careca, expressão corporal e facial em cena. Uma interpretação única!


Os Homens Jarro:
Samuel Melo, que também interpreta Euzébio da Abadia ganha destaque sem dizer uma palavra com entradas pontuais e marcantes. Daniel Martins, o Nepumuceno tem igual participação com suavidade e firmeza para o andamento da peça. Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Neco Yaros dão o toque masculino e precioso no espetáculo. Jorge Farjalla explica: "Senti a necessidade de trazer, não só simbolicamente, mas fisicamente... e estão aqui para reforçar que a vontade de amar e o desejo são iminentes".


No mais:
Parabéns a toda a equipe maravilhosa de todas as áreas. É um espetáculo único e impecável!


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